22/07/2010
Criado método inédito para analisar eficácia antimicrobiana de álcool gel
 

Uma dissertação produzida no Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz) propõe uma metodologia inédita para verificar a eficácia antimicrobiana do álcool etílico sob a forma coloidal, o conhecido álcool gel. Apesar de o produto ser comumente comercializado nas farmácias e utilizado na higiene e limpeza doméstica, não existe um procedimento laboratorial válido para fiscalizá-lo. “Nossa metodologia pode ser uma solução, pois os resultados que obtivemos no Instituto se mostraram confiáveis”, afirma a bióloga Alessandra Oliveira de Abreu, autora da dissertação.

O álcool gel ganhou importância após uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que proibiu a venda, junto à população, de álcool etílico líquido com graduações acima de 54º GL. Tal proibição foi justificada em virtude do alto número de acidentes domésticos envolvendo este produto, sobretudo com crianças.

No entanto, apesar da boa intenção da Anvisa, ao contrário de sua versão líquida, o álcool  coloidal não conta com metodologia válida que permita aos laboratórios de vigilância sanitária garantir sua eficácia como biocida. Tal problema serviu de estímulo para Alessandra em seu mestrado. A ideia foi adaptar uma técnica laboratorial já existente e validada, chamada de método para avaliação da atividade bactericida de desinfetantes nas formas de spray e aerossol.

Em uma primeira etapa, a bióloga preparou em laboratório um álcool líquido a 70º GL e o avaliou por meio de uma técnica conhecida como método de diluição de uso. Este funciona da seguinte maneira: os técnicos contaminam pequenos cilindros de aço com bactérias para depois lhes aplicar um produto desinfetante líquido (como o álcool, por exemplo). Posteriormente, esses cilindros são transferidos para tubos com meio de cultura, ou seja, com nutrientes, temperatura e condições favoráveis para o crescimento e proliferação dos microrganismos. Passadas 48 horas, se alguma bactéria tiver sobrevivido à aplicação do álcool no cilindro de aço, ela encontrará oportunidade de se reproduzir no meio de cultura, o que atestará a ineficiência do produto desinfetante. Caso contrário, o produto estará aprovado.

Obtidos os resultados satisfatórios para seu álcool, Alessandra teve segurança para verificar se obteria os mesmos efeitos pelo método com spray. Este difere do primeiro ensaio pelo fato de empregar lamínulas de vidro ao invés dos cilindros de aço e da aplicação do álcool a ser testado ter sido feita através de um borrifador. O motivo da troca justificou-se porque o álcool gel, ao ser aplicado nos cilindros, forma bolhas, o que deixa algumas áreas contaminadas sem contato com o produto. “Isso não ocorre com as lamínulas, além disso, elas aproximam-se mais da realidade da atividade doméstica, visto que normalmente as pessoas aplicam o álcool em panos para depois passá-los em superfícies”, explica a pesquisadora.

Testado o método para spray e aprovado para o álcool líquido, a bióloga buscou adaptá-lo para o equivalente na forma coloidal. Como o borrifador não funcionava para a aplicação do álcool gel, Alessandra o substituiu por uma pipeta. Na sequência, ela fez com que testes fossem aplicados em dias variados e por diferentes técnicos do INCQS. Os resultados obtidos foram considerados “bastante promissores”, o que ocasionou a aprovação de sua dissertação.

Apesar do sucesso, a técnica inédita ainda precisa ser validada por meio de estudos que confrontem e analisem seus resultados quando ela for aplicada por profissionais de outros laboratórios do país. “É o que pretendo realizar em meu doutorado”, conclui Alessandra. A dissertação da pesquisadora chama-se Estudo para determinação de metodologia analítica para comprovação da eficácia antimicrobiana do álcool etílico na forma de gel.

Texto: Pablo Ferreira
Fonte: Fiocruz

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