01/07/2010
Entenda a lesão que pode tirar o meia Elano da Copa do Mundo
 
Fábio Santos

O Brasil entra em campo na próxima sexta-feira, dia 2 de julho, contra a Holanda, pelas quartas de final da Copa do Mundo e não terá em campo um dos seus principais jogadores. O meio-campista Elano está afastado por causa de uma contusão sofrida ainda na segunda partida do Mundial, contra a Costa do Marfim, dia 20 de junho.

Em entrevista, o médico da Seleção, José Luíz Runco, informou que o jogador terá que permanecer mais tempo do que o previsto em tratamento devido a um edema ósseo.

Para entender mais sobre o assunto, o Terra entrou em contato com o ortopedista e traumatologista Marcos Britto da Silva, que também é especialista em medicina esportiva, e comentou sobre a lesão do camisa sete da seleção.

Terra: O que é um edema ósseo, e como isso pode prejudicar um atleta?
Marcos Britto da Silva: Naquele momento, assistindo ao jogo, já imaginei que pudesse ter ocorrido este tipo de lesão. Eu prefiro chamar de contusão óssea, que é um diagnóstico relativamente recente e surgiu com a maior investigação feita após contusões e lesões nos atletas com o exame de ressonância nuclear magnética.

Acontece pelo fato da região metafisária (região próxima às articulações nos ossos longos como o fêmur e a tíbia) ter uma grande quantidade de trabeculado ósseo. Rompendo somente algumas trabéculas o osso não perde a forma e não mostra uma fratura na radiografia simples. Essa é uma causa frequente de dor crônica periarticular pós-contusão.

Então ele não teve uma fratura, é apenas um desconforto?
Sim. Quando se quebra uma trabécula, como no caso do Elano, é como se estivesse quebrando um reboco de uma parede. Ela continua inteira, sem nenhum dano, mas um pouco arranhada na superfície.

Ele deve ser poupado por causa do esforço exigido em uma partida, e à exposição a outros tipos de pancadas?
O jogador está liberado para andar, até correr, pelo que entendi, mas quando este tipo de lesão ocorre, o maior problema é a sobrecarga no osso, o que pode gerar dor. Bater o pé no campo ou desacelerar o corpo pode aumentar a pressão na região lesionada e incomodar o atleta. Ali existe um processo inflamatório na região subcutânea e eventualmente um stress no tornozelo, mas não posso afirmar com certeza, pois não vi os exames.

Como é feito o processo de recuperação?
Em geral o tratamento consiste em evitar a carga sobre o membro machucado. A contusão óssea em geral não apresenta traço de fratura mesmo após algumas semanas. O processo de recuperação é à base de medicação oral, gelo e bandagem.

Arriscaria algum tipo de previsão para o retorno do atleta?
Um atleta tem mais capacidade de resistência à dor e, muitas vezes, a recuperação é mais rápida do que em pessoas comuns. Não existe nenhum tipo de intervenção para sanar este edema, é preciso esperar a evolução, que pode demorar até três semanas, em lesões pequenas.

Especial para Terra

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